
O Presidente da Fundação João Mangabeira(FJM), Carlos Siqueira, ministrou na noite desta quinta-feira, 23, a aula de encerramento do curso de formação política promovido pela Juventude Socialista Brasileira (JSB) do estado de Pernambuco, que é uma instância partidária local do Partido Socialista Brasileiro(PSB). Siqueira foi convidado para dar uma aula online sobre o tema “A Autorreforma e o futuro do PSB”. O dirigente explicou o processo de reformulação do programa partidário do PSB, que foi realizada com a participação de lideranças, da militância socialista e de simpatizantes do partido, além de detalhar alguns aspectos do programa, falar sobre a história do partido e sobre os avanços e desafios à democracia brasileira. O evento online foi moderado por Vinícius Pequeno, presidente da JSB-PE e contou com a participação dos presentes.
Siqueira iniciou sua fala enfatizando que “é fundamental para a militância partidária conhecer bem o partido, conhecer suas diretrizes, conhecer seu programa, principalmente nesse momento que nós estamos com um novo programa decorrente do Congresso Constituinte da Autorreforma do Partido Socialista Brasileiro”, informou. Este novo programa se transformou em diretrizes para um projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil.
O processo de reformulação partidária

Sobre o processo da Autorreforma, realizado sob sua condução quando ainda presidia o PSB nacional, cargo que ocupou por dez anos, o presidente da FJM contextualizou as etapas de elaboração, destacou que desde 1947, quando aconteceu a fundação do PSB, passando pela refundação do partido – ocorrida nos anos 1980 – muita coisa mudou no Brasil e no mundo, mas o programa do PSB continuou igual.
Siqueira lembrou que o Brasil, à época da Autorreforma, iniciada em 2020, vivia um período de ameaça à democracia e crise no sistema de representação política. “Nós tínhamos passado por um trauma que era a eleição de Bolsonaro em 2018 porque o sistema político como um todo foi derrotado pelo pior deputado que a Câmara dos Deputados já teve, o mais tosco o mais ignorante o mais reacionário…”, relatou o presidente da FJM. Para o líder partidário foi isso que despertou a necessidade de refazer o partido, modernizá-lo, transformá-lo e apresentar à sociedade brasileira as diretrizes para um programa nacional de desenvolvimento contido na Autorreforma. Foi nesse contexto que a Autorreforma foi realizada com ampla participação das instâncias partidárias, “as ideias foram muito bem recebidas pelo Diretório Nacional do partido e depois pela conferência que nós convocamos. Ao longo do período de discussões surgiram muitas ideias novas que melhoraram muito a ideia original e resultou no nosso programa que certamente é um dos – se não for o melhor- acho até que é o melhor programa de partido político do Brasil”.
Participação popular, economia

O presidente destacou a ênfase dada pela Autorreforma à importância da participação popular como política de Estado, ele explicou os instrumentos de plebiscito, referendo e os Conselhos, abrigados pela Constituição Federal, “são outras formas de participação popular muito importantes pra que se possa fortalecer a democracia”.
Ao discorrer sobre a questão do desenvolvimento econômico no Brasil, o presidente da FJM manifestou preocupação com a dívida pública, “só nesse ano vamos pagar R$ 1 tri pelo serviço dessa dívida. É preciso ajustar as contas públicas para que esse recurso seja destinado ao investimento público no desenvolvimento do país e não ao pagamento de serviço de dívida aos grandes bancos, que são os bancos brasileiros ou mesmo os bancos internacionais”, afirmou Siqueira. Ainda sobre a questão econômica, o presidente destacou o programa “Nova Indústria Brasil”, desenvolvido pelo vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB), que também é ministro da indústria de comércio e serviços do Brasil, “estão sendo feitos grandes investimentos pra modernização da indústria brasileira pra que ela entre num grau de competição internacional capaz de elevar a participação do Brasil no mercado competitivo com agregação de valor nos produtos nacionais, é um programa importantíssimo do qual todos nós devemos nos orgulhar”, afirmou Carlos Siqueira.
Seguridade Social e Amazônia 4.0
Para o presidente da FJM a Constituição Federal de 1988 trouxe avanços significativos para o Brasil. “O sistema de saúde público do Brasil é considerado a principal conquista social que nós tivemos nesses 40 anos de democracia”, esclareceu Siqueira, “vocês são muito jovens não alcançaram o que era o Brasil sem o Sistema Único de Saúde (SUS)”, completou. Sobre educação o presidente avaliou que o Brasil ainda está muito aquém do ideal quando comparado com outros países da América Latina, “alguns estados incluindo o nosso de Pernambuco mais o Ceará e a Paraíba – e outros também – têm tido um esforço e têm conseguido melhoras significativas na qualidade do ensino e no estabelecimento de escolas de tempo integral, de maneira que é preciso a gente valorizar, trata-se de uma conquista da democracia brasileira que às vezes os próprios políticos se esquecem de valorizar e de proclamar como sendo algo importantíssimo para o país”, informou Siqueira, que também destacou a aposentadoria social rural, o Benefício de Prestação Continuada(BPC).

Ao tratar do projeto do PSB para a Amazônia, o presidente lembrou de debate recente que aconteceu na sede da Fundação João Mangabeira sobre o potencial de desenvolvimento econômico daquela região, ele falou sobre as biofábricas desenvolvidas pelo projeto Amazônia 4.0, “nós queremos manter a floresta em pé, mas estudando o seu solo, conhecendo a biodiversidade e a biotecnologia para transformar os empreendimentos econômicos e melhorar muitíssimo a vida das pessoas que vivem naquela região, além de produzir muito para a economia brasileira”. (Leia mais em: https://www.devfjm.com.br/fundacao-joao-mangabeira-recebe-ismael-nobre-e-julia-cruz-para-debate-sobre-a-amazonia-e-a-cop-30/)
Mudança geracional
Carlos Siqueira revelou que partiu dele a ideia de que houvesse uma mudança geracional no partido com a entrada de uma liderança em ascensão, o prefeito de Recife, João Campos (PSB-PE) – que atualmente é presidente nacional da agremiação partidária – , “o nome ideal para assumir a presidência porque eu acredito muito na possibilidade da juventude assumir responsabilidades. João desde muito cedo, quando ele começou como deputado depois como prefeito, mostrou ser uma figura com potencial extraordinário para assumir a direção do partido e eu acho que ele está indo muito bem e também deve assumir outra responsabilidade no plano estadual e depois no plano nacional.







