
Na noite desta segunda-feira, 22 de setembro, a sede da Fundação João Mangabeira (FJM), em Brasília, foi palco de mais uma edição do projeto Diálogos de Formação, que teve como tema central “Projeto Amazônia 4.0 e a COP 30”. O evento reuniu nomes de destaque no cenário ambiental e político para discutir os caminhos para uma economia verde no Brasil, com foco no papel estratégico da Amazônia na construção de um futuro sustentável.
A atividade contou com a presença do professor doutor Ismael Nobre, diretor científico do Projeto Amazônia 4.0, e de Julia Cruz, secretária nacional de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A mediação foi feita pelo presidente da FJM, Carlos Siqueira, e o debate foi transmitido ao vivo pelos canais oficiais da Fundação e do PSB no YouTube.

Durante o evento, o presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), Carlos Siqueira, que moderou o debate, lembrou que o PSB considera a “Amazônia um verdadeiro tesouro do Brasil”, ele citou a tese 149 do Manifesto do PSB:
“O PSB defende uma estratégia de desenvolvimento sustentável da Amazônia, que deve ser parte integrante de um projeto nacional de desenvolvimento. O potencial futuro da Amazônia não está nos produtos que já existem, mas no aproveitamento da imensa riqueza de sua biodiversidade. O PSB defende que a articulação da inteligência na Amazônia reforce a vasta produção e sistematização de conhecimentos e saberes dos povos originais, suas culturas e crenças, seus conhecimentos e suas tradições”( você pode ler o manifesto na íntegra aqui: https://www.autorreformapsb.com.br/).

Siqueira lembrou que esta foi a segunda vez que o professor Ismael atendeu a um convite da FJM, a primeira foi em Macapá, no estado do Amapá, que foi governado pelo PSB, onde o partido implantou ainda nos anos 1990 o PDSA (Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá), iniciado por João Capiberibe nos anos 1990 e depois retomado por Camilo Capiberibe, de 2011 a 2014.
Em sua palestra, o professor Ismael Nobre explicou como funciona o projeto do Instituto Amazônia 4.0, que trabalha com comunidades tradicionais da região com o objetivo de reduzir o desmatamento e agregar valor aos produtos da biodiversidade como o cacau, o cupuaçu e o açaí. O instituto trabalha com comunidades localizadas em áreas protegidas, em assentamentos de reforma agrária, em territórios quilombolas, populações ribeirinhas e povos indígenas.

As biofábricas, que são trabalhadas no projeto, são pré-moldadas e podem ser montadas em duas semanas, elas otimizam a produção a partir de matéria prima local usando tecnologia adaptável às necessidades amazônicas. A respeito do financiamento e da escalabilidade do projeto, Nobre explicou que pode ser criado um fundo, a ser mantido pelas fábricas existentes, num sistema em que a cada cinco fábricas uma nova poderá ser criada, ou uma fábrica funcionando por cinco anos gera mais uma, “como uma célula que vai se dividindo no corpo da gente” afirmou o cientista. O Professor ressaltou que as ideias do instituto Amazônia 4.0 foram incorporadas ao manifesto do Partido Socialista Brasileiro e que isso foi motivo de “grande satisfação e um objeto estratégico atingido, pois nossos desenvolvimentos devem, idealmente, passar para a esfera das políticas públicas e são os partidos, com suas convicções, que fazem as políticas de governo”, concluiu.

O coordenador de formação da FJM, Domingos Leonelli falou sobre a importância do conhecimento enquanto capital e ressaltou a necessidade de criação da Amazonbrás, que segundo o ex-governador Camilo Capiberibe, presente no debate, seria uma espécie de Embrapa voltada para a Amazônia. A secretária Julia Cruz falou sobre os desafios à sustentabilidade na produção industrial brasileira. Além da concorrência de países com grande tecnologia e know how de como fazer produção a baixo custo; segundo a secretária, quando se fala em descarbonizar efetivamente a indústria carbono intensiva, como por exemplo, cimento, em que 70% da emissão de carbono vem da reação química liberada na produção do cimento, não se trata de trocar apenas a fonte de energia, “precisa de muito investimento pra descarbonizar um setor desses”. Sobre a Amazônia, a secretária destacou ainda a importância de “enraizar a noção de que transição ecológica é benéfica para o povo brasileiro”, ela explicou que a secretaria que dirige tem um projeto de redes de biorrefino na Amazônia, com os resíduos da produção é possível produzir químicos, por exemplo, ou fertilizante. Além disso, Cruz falou sobre o adensamento da cadeia produtiva de produtos como o açaí, o cupuaçu e o babaçu, “açaí é um produto de valor agregado altíssimo no exterior porque é um suplemento alimentar”, e adensar essa cadeia no Brasil faz com que haja um acréscimo nos ganhos. Já está em andamento o Centro de Bionegócio da Amazônia, onde nove startups estão albergadas para que suas cadeias produtivas sejam adensadas da pesquisa ao produto.








